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Offboarding: o que a entrevista de saída não captura

Ciclo de vidaLeitura de 6 minAtualizado em 18 de agosto de 2026

A entrevista de saída é quase um ritual: a pessoa já decidiu ir, senta com o RH e conta os motivos. O problema é que ela raramente conta tudo. Quem está de saída suaviza — para não queimar ponte, para sair em paz, porque "agora não muda nada mesmo". O resultado é um retrato educado e incompleto, colhido no pior momento para ser sincero.

E há o viés de quem conduz: quando o RH ou o gestor está na frente, certos assuntos — a própria liderança, um conflito, um assédio — simplesmente não aparecem. A conversa individual, cara a cara, esconde justamente o que mais importaria saber.

O que a escuta anônima da saída revela

Uma leitura de desligamento anônima e agregada muda o que se enxerga. Individualmente, cada saída parece ter uma história única. No agregado, os padrões aparecem:

  • Um mesmo motivo se repetindo em várias saídas — um sinal que a conversa individual dilui.
  • Uma área ou um tipo de cargo que perde gente mais que os outros.
  • Temas que ninguém fala olho no olho, mas que aparecem quando não há um rosto do outro lado.

Não se trata de substituir a conversa humana da despedida, que tem seu valor. Trata-se de somar a ela uma leitura que não depende da coragem de cada um no dia da saída.

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Anonimato, mesmo (ou principalmente) na saída

Aqui o anonimato é ainda mais delicado: quem sai não quer ser identificado por uma crítica final. Vale a regra de sempre — resultado só agregado, com um mínimo de respostas, sem vínculo com quem respondeu. Em empresas com poucas saídas por mês, isso significa esperar acumular respostas antes de mostrar qualquer recorte. É esse cuidado que faz a pessoa dizer, no fim, o que não disse durante o contrato.

O objetivo final não é entender quem foi — é reter quem fica. Cada motivo de saída que a empresa consegue enxergar com clareza é uma chance de corrigir algo antes que a próxima pessoa boa tome a mesma decisão.

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